Enxaqueca Crônica - Gravidez x enxaqueca: Cuidados além do uso de medicamentos
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Gravidez x enxaqueca: Cuidados além do uso de medicamentos

Publicado 31/08/2016
Enxaqueca crônica

A gravidez é uma fase cheia de expectativas e dedicação. Neste período, as mulheres que sofrem de enxaqueca crônica precisam redobrar os cuidados e se atentar aos seus hábitos, pois uma crise de dor não pode ser resolvida com o simples uso de medicamentos, que podem prejudicar o feto.

 

Conversamos com a Dra. Celia Roesler, membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia, que nos contou sobre os fatores da gestação que podem desencadear dores de cabeça e quais medidas as mulheres devem tomar para prevenir as crises. Confira a entrevista que fizemos com a neurologista:

 

Enxaqueca Crônica (EC): É comum a ocorrência de enxaqueca durante a gestação?  

Dra. Celia: Sim, é comum que as gestantes tenham crises de dor de cabeça, principalmente, no primeiro trimestre. Isso se deve a alguns fatores, como a oscilação hormonal e períodos de jejum e desidratação. Por conta dos fortes enjoos e vômitos, algumas mulheres não se alimentam adequadamente e bebem pouca água, fazendo com o que o organismo fique vulnerável a esses gatilhos.

 

EC: Quais oscilações o corpo sofre durante a gravidez que pode diminuir ou aumentar as crises de dor de cabeça?

Dra. Celia: Além das hormonais, tem também as metabólicas. A queda de estrogênio pode desencadear crises até o final do primeiro trimestre de gestação, mas depois ocorre estabilização que favorece a diminuição das crises. O mesmo ocorre com as oscilações metabólicas ligadas aos níveis de açúcar e tireoide. Importante destacar que as dores de cabeça na gestação só costumam aparecer em mulheres que já apresentavam episódios no período menstrual.

No entanto, pesquisas mostram que de 60 a 70% das mulheres sente a melhora das dores no ultimo período da gestação.

 

EC: É necessário interromper o tratamento medicamentoso durante a gravidez?

Dra. Celia: Sim, pois alguns remédios podem ser teratogênicos, ou seja, podem provocar má formação do feto ou outros problemas. Também é importante ficar longe de medicamentos vasoconstritores, indicados comumente nas crises, pois podem provocar aborto.

 

EC: E o que as mulheres podem fazer para evitar as dores de cabeça durante a gestação?

Dra. Celia: Eu costumo recomendar repouso, hidratação e alimentação em poucas quantidades e em curtos intervalos, preferencialmente rica em carboidratos para não cair o nível de açúcar do organismo. A hidratação não precisa ser necessariamente só de água, pode incluir suco natural de frutas e água de coco.

O descanso durante a gestação é importante porque as mulheres costumam sentir muito sono e o corpo se cansa rapidamente. Cochilar um pouco, sempre que possível, é uma saída para evitar que a dor de cabeça apareça.

Durante toda a gestação é importante que a mulher também esteja em acompanhamento com o nutricionista, além do neurologista e obstetra. Esses três especialistas irão garantir que ela mantenha a qualidade de vida mesmo que haja episódios de crises. E importante: caso aconteça uma crise forte de dor é necessário entrar em contato com o neurologista, pois somente ele poderá avaliar o custo-benefício da indicação de algum medicamento e qual seria o mais adequado.

 

EC: Quais métodos adjuvantes podem ajudar a prevenir as dores de cabeça, sem causar riscos às gestantes?

Dra. Celia: Atividades que estimulem a produção de endorfina (analgésicos naturais) são boas alternativas, como acupuntura, hidroginástica e atividades físicas de relaxamento (ioga, pilates, massagem). Mesmo sem ser uma atividade física, a psicoterapia também pode ser uma aliada, pois ensina a paciente a lidar com as dores em um momento de crise – inclusive algumas respirações, meditações e outros comportamentos para auxiliá-la na prevenção das dores.



O texto acima possui caráter exclusivamente informativo. Jamais realize qualquer tipo de tratamento ou se automedique sem a orientação de um especialista.


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