Enxaqueca Crônica - Analgésicos para dor de cabeça: aliados ou inimigos?
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Analgésicos para dor de cabeça: aliados ou inimigos?

Publicado 23/03/2016
Enxaqueca crônica

Não leva muito tempo até que alguém ofereça um analgésico quando ouve outra pessoa se queixar de dor de cabeça. Esses medicamentos estão sempre em um local de fácil acesso para liquidar rapidamente aquela “dorzinha chata” que aparece de vez em quando. O que ninguém se dá conta é que o uso excessivo e sem orientação de analgésicos pode deixar o organismo dependente dessas substâncias e, ainda, desencadear uma enxaqueca crônica.

Para entender melhor como isso ocorre, é importante saber que o processamento da dor de cabeça se dá pela atuação de neurotransmissores (moléculas responsáveis pela comunicação entre os neurônios do sistema nervoso). E é exatamente nestas moléculas que alguns analgésicos atuam, interrompendo esta transmissão de sinais para cessar a dor.

No entanto, quanto mais frequente o uso desse tipo de medicamento, menos resultado ele oferece, como explica Dr. Henrique Carneiro (CRM MG-35036), neurologista e membro da Sociedade Mineira de Cefaleia. “O uso abusivo de analgésicos acaba surtindo efeito contrário passando a inibir os sinais de bloqueio da dor, o que leva o paciente a consumir doses cada vez maiores de medicamentos, até que nada seja suficiente”.

Embora esta categoria de remédios seja permitida para o alívio de dores agudas (crises de enxaqueca), o especialista recomenda prestar atenção na quantidade de comprimidos ingeridos: “Ultrapassar o consumo de duas doses por semana já é considerado como abuso de medicação, levando facilmente a uma dependência e ao desenvolvimento da enxaqueca crônica”.

A composição mais comum dos analgésicos para dor de cabeça compreende paracetamol, ácido acetilsalicílico e dipirona sódica, mas o Dr. Henrique sinaliza uma categoria em especial para se ter ainda mais cuidado, que são os a base de morfina, uma vez que esta substância inibe a endorfina – analgésico natural produzido pelo nosso corpo.

Para um tratamento mais eficiente da dor de cabeça, é importante checar seus pontos de gatilho, ou seja, o que mais comumente provoca a dor e evitá-los. Em caso de uma enxaqueca crônica já instalada, é importante englobar cuidados multidisciplinares com ajuda de terapias física e psicológica e até de procedimentos minimamente invasivos.

Dr. Henrique relata como exemplo a sua experiência no tratamento da cefaleia por abuso de analgésico, bem como da enxaqueca crônica, com o uso da toxina botulínica A: “Há estudos que comprovam sua eficácia aliada a medicamentos e atestamos isso em nossa prática, onde conseguimos amenizar a intensidade e a frequência da dor, com consequente redução do consumo de analgésicos pelos pacientes”.

Como mensagem final, o especialista alerta que não existe medicamento forte ou fraco para tratar esta ou aquela dor de cabeça. O que existe é o remédio ideal, na dose ideal e para a pessoa ideal, que deve ser orientada sempre por um profissional.

O texto acima possui caráter exclusivamente informativo. Jamais realize qualquer tipo de tratamento ou se automedique sem a orientação de um especialista.

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