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A relação entre enxaqueca e depressão

Publicado 30/10/2018
Enxaqueca crônica

A relação entre dor crônica e depressão é bastante frequente, pois a dor intensa e constante acaba despertando transtornos físicos e mentais que condicionam o paciente a um estado depressivo. Em pacientes com enxaqueca crônica, a prevalência de depressão pode ser até quatro vezes maior¹ do que na população geral, somando-se também aos sintomas de ansiedade

Por esta razão, o tratamento multidisciplinar da enxaqueca crônica com o apoio de um profissional da área da saúde mental é indicado, como explica a neurologista Dra. Simone Amorim (CRM-SP 98656).  “A depressão e a ansiedade precisam ser tratadas juntamente com a enxaqueca, uma vez que o paciente depressivo não tem disposição para aderir ao tratamento proposto e perde a capacidade de acreditar nos efeitos positivos do que lhe foi indicado, dificultando o processo e os resultados”.

Neste sentindo, é importante compreender que a depressão é caracterizada por sintomas como tristeza profunda, perda de prazer, alteração de humor, desesperança, culpa excessiva, baixa energia, alterações no sono e cansaço. E pode ainda ocorrer inquietação e alteração nos processos cognitivos, como falta de atenção e perda de memória recente. A soma destes sintomas com a dor intensa afeta de forma importante a qualidade de vida do paciente e sua capacidade de lidar com a dor física e emocional, e vice-versa. 

A psiquiatra Alexandrina Meleiro (CRM-SP 36139) contextualiza que em casos de depressão, a dor crônica atinge uma dimensão ainda maior, se tornando quase que insuportável. “Podemos dizer que uma doença leva a piora do quadro da outra, e ainda que há uma ligação direta entre a dor de qualquer natureza com a depressão, mas principalmente em relação a enxaqueca”. 

As especialistas orientam que mesmo em enxaquecosos que não apresentam quadro de depressão já desenvolvido, o acompanhamento psicológico é especialmente indicado como complemento ao tratamento da enxaqueca para ajudar no manejo de fatores psicológicos que podem desencadear crises de dor, como preocupação excessiva, medo, solidão e raiva. “O cuidado emocional é sempre importante, pois muitas vezes ele pode ser desencadeador de situações de estresse que são gatilhos das crises de enxaqueca”, afirma a psiquiatra.  

Além de sessões de terapias, existe a possibilidade de tratamento medicamentoso que favorece tanto a dor como a depressão, por isso, remédios antidepressivos são frequententemente prescritos no tratamento da dor crônica. 

Em conjunto com o tratamento indicado pelo médico neurologista e o psicólogo, a prática de atividade física, alimentação balanceada e rotina de sono equilibrada podem trazer muitos benefícios para a melhora da qualidade de vida do enxaquecoso.

¹Buse DC, Manack A, Serrano D, Turkel C, Lipton RB. Sociodemographic and comorbidity profiles of chronic migraine and episodic migraine sufferers. J Neurol Neurosurg Psychiatry. 2010 Apr;81(4):428-32.

O texto acima possui caráter exclusivamente informativo. Jamais realize qualquer tipo de tratamento ou se automedique sem a orientação de um especialista.


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